sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Cimarron (Cimarron) - 1931

Cimarron é uma adaptação de 1931 para o livro homônimo de Edna Ferber. A RKO Pictures escalou Wesley Ruggles para dirigir o primeiro e por muito tempo único (o próximo seria Dança com Lobos em 1990) Faroeste a ganhar o Oscar de Melhor Filme.

O filme conta a história de Yancey Cravat (Richard Dix), um jornalista americano empreendedor e bastante inconsequente do final do século XIX. Quando o governo abre as fronteiras do que se tornaria o estado de Oklahoma para que fosse povoado por quem quisesse se aventurar por um lugar tão inóspito, Cravat deixa sua mulher Sabra (Irene Dunne) e filho para trás afim de conseguir um bom pedaço de terra onde poderiam viver, ganhar a vida e finalmente sair da casa da família da esposa.

Na corrida pelas terras, Yancey acaba encontrando velhos conhecidos, que estranham a vida agora pacata e familiar dele. Enquanto comemora com os amigos sua volta às aventuras, Yancey conhece Dixie Lee (Estelle Taylor), uma mulher corajosa que, afim de pegar o melhor pedaço de terra (também escolhido por Cravat), passa-lhe a perna sem qualquer escrúpulo.

Yancey retorna para sua casa no Kansas para buscar sua família e se mudarem para a então muito promissora cidade de Osage. Sua mulher Sabra, apesar de muito relutante, resolve segui-lo, e o jovem empregado Isaiah (Eugene Jackson) também, porém escondido. Ao chegar na nova cidade, Yancey decide assumir o jornal local, e sua primeira grande história deve ser o assassinato do jornalista que o antecedera. Aos poucos, Yancey começa a se destacar na cidade, o que causa inveja no grande bandido do lugar, Lon Yountis (Stanley Fields). Na cena mais confusa do filme, ao ser convidado para assumir a palavra no primeiro culto da cidade, Cravat aproveita para desmascarar o vilão, culpando-o pelo assassinato do colega. Os dois acabam trocando tiros e o vilão morre.

Os anos se passam e a sociedade começa a tomar forma na cidade. Antes quase desabitada, agora Osage é uma grande cidade. Dixie Lee, agora conhecida por todos por ser prostituta, vai a julgamento e ninguém quer defende-la. Defensor das minorias e muito justo, Yancey decide defende-la e acusa a própria sociedade machista de não tê-la dado nenhuma outra escolha. Lee é absolvida por unanimidade pela corte.

Nas idas e vindas atrás de mais terras (Yancey não era um homem de criar raízes), ele acaba deixando sua esposa e filhos atrás de mais aventuras. Enquanto isso, Sabra toma conta do jornal e da casa, ganhando notoriedade como cidadã de Osage. A descoberta do petróleo na região faz Yancey partir novamente, deixando para trás a família e correndo atrás de seu destino.

Cimarron é conhecido por ser um dos grandes erros da Academia. Apesar de ter sido o primeiro filme a concorrer em todos os Cinco Grandes Prêmios (Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Ator e Melhor Atriz), o filme é bastante chato e merece tal fama. A narrativa é superficial, sem muitas explicações e coerência sobre os fatos que vão se desenrolando na tela. Richard Dix é o ator mais canastrão que já vi em um filme, tornando seu personagem caricato e enjoativo. Ele foi um dos poucos atores da era muda a continuar famoso depois do advento dos talkies, o que talvez explique suas expressões tão exageradas.

O que salva a produção do fracasso total é a interpretação de Dunne, que aparentemente se aproveita da falta de talento do colega para brilhar ainda mais. Destaque também para o jovem Eugene Jackson, que por muitas vezes rouba a cena no papel do jovem empregado negro. Porém, isso não foi o bastante para a RKO Pictures não amargar um prejuízo grande na época do lançamento. Apesar de ganhador do premio de Melhor Filme, Melhor Direção de Arte e Melhor Roteiro Adaptado, o filme foi um fracasso por conta do alto valor investido (a cena da corrida pelas terras levou uma semana para ser gravada e contou com mais de 5.000 extras) e da Grande Depressão

Foi relançado em 1935, o que ajudou a recuperar quase totalmente o valor investido. O filme ainda contou com indicação a Melhor Fotografia e ganhou um prêmio especial pela maquiagem. Um remake foi feito em 1960 pela MGM.

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